O palco da escola vai além da sala de aula
Nesses quase 18 anos de vivência na educação, concluo que a escola é muito mais do que um lugar onde aprendemos apenas conteúdos específicos. Ela é, acima de tudo, um espaço de trocas e descobertas. Nela, observamos florescer experiências únicas e transformadoras em cada ser que ali frequenta. Pude observar, nas mais diversificadas atividades que desenvolvi ao longo desses anos, como experimentos sobre a biogênese, a anatomia com peças de porco e até mesmo um day-use no Hospital de Base, proporcionaram territórios férteis para o desenvolvimento de habilidades e da autoconfiança dos meus estudantes.
Lembro com carinho de uma estudante do 6º ano, ainda nos meus primeiros dias na recém-inaugurada unidade Sigma Águas Claras. Ela era extremamente habilidosa, comunicativa e tinha um olhar curioso que se destacava na turma. Durante uma aula de Ecologia, apresentei uma questão de vestibular, algo que, à primeira vista, parecia distante da realidade deles. Mas, para surpresa geral, ela mergulhou no desafio com tanta naturalidade que a resolução pareceu simples, acessível… possível.
Hoje, essa mesma ex-aluna, retorna ao Sigma Águas Claras, prestes a concluir sua graduação em Biologia. E, com orgulho, sei que fiz parte desse percurso, sendo para ela uma fonte de inspiração, assim como ela foi, e continua sendo, para mim.
A progressão dos processos de aprendizagem, em especial sobre as atividades extracurriculares, também permitem aos estudantes depararem-se com desafios e erros que fazem parte do caminho, e isso é libertador. Nessa caminhada, a orientação do educador traz a reflexão de que no futsal, erra-se o passe; na prática no laboratório de química, o experimento pode não funcionar… E tudo bem! Conduções diferentes da rigidez que às vezes existe na avaliação formal, essas experiências ensinam que errar não é fracassar. É apenas uma etapa do processo. Isso fortalece a coragem de tentar novamente, que é a base da autoconfiança.
Como educador e gestor, aprendi que os boletins não contam toda a história. Muitas vezes, a verdadeira virada no comportamento de um aluno acontece fora das provas e das notas, aparecem em uma gincana, no projeto de construção de uma horta, ou na emoção de uma apresentação teatral no fim do ano. São nesses momentos que vemos surgir a autoconfiança genuína. E, como gestor, é emocionante perceber o olhar atento do professor diante dos avanços daquele estudante que está se esforçando para dar o seu melhor. Mesmo quando o resultado esperado não vem, ele carrega uma pergunta consigo: “Será que eu fiz o suficiente?”. E é nessa reflexão que mora o crescimento! Desenvolver a autoconfiança nesses espaços transforma não só o ambiente escolar, torna-o mais vivo e humano, como também fortalece competências para toda a vida.
Se queremos formar jovens preparados para os desafios do mundo, precisamos oferecer experiências que falem com o coração, e não somente com a razão. Atividades extracurriculares são caminhos poderosos para isso. Estimular o desenvolvimento das mais diversas habilidades, despertaremos talentos muitas vezes adormecidos.
Afinal, não há aprendizado mais importante do que esse: confiar em si!
Yuri Vieira
Educador, gestor escolar e um eterno entusiasta de escolas que ensinam e engrandecem a alma.


