Uma das perguntas mais frequentes que ouço das famílias que vêm nos visitar aqui no Sigma é: “Vocês têm integral?” Essa é uma pergunta importante porque pode revelar duas grandes preocupações:
- “Preciso de uma escola que possa ficar com o meu filho ao longo do dia, para que tenhamos tranquilidade enquanto mantemos nossa rotina profissional”; ou
- “Estou preocupada em oferecer ao meu filho uma complementação da educação do turno regular, de forma a criar novas oportunidades de aprendizagem.”
Ainda que isso não esteja totalmente claro na cabeça de pais e mães, minha sugestão é que ambas as intenções não sejam excludentes, mas sim combinadas no processo de busca por uma escola integral para seus filhos.
No Sigma, o integral — que chamamos carinhosamente de Sigma Club — atende prioritariamente as crianças da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Sim, o fato de essas crianças estarem em seu ambiente escolar ao longo de todo o dia é extremamente importante. Mesmo que “nada fizessem”, apenas aproveitassem livremente o espaço da escola (que, no caso do Sigma, é único, com uma estrutura rara de ser encontrada no Distrito Federal), isso já valeria a pena.
Nesse contexto, a criança está num lugar conhecido, de relações afetivas, onde vai esbarrar o tempo inteiro com coordenadores, inspetores, funcionários da limpeza e até professores — fortalecendo um vínculo de comunidade e pertencimento que é importantíssimo.
Então, sim: o espaço preparado para receber as crianças é importante. Mas, creio, não é suficiente.
A ideia de que esse espaço especial possa trazer consigo experiências pedagógicas significativas deve ser vista como um fator decisivo na escolha da escola.
E o que deve oferecer esse espaço?
Costumo dizer que o integral precisa combinar cinco grandes aspectos:
- Autorregulação e organização pessoal
A criança deve aprender a importância de incorporar uma rotina de tarefas de casa, estudo e leitura. Isso é estimulado graças à ação das monitoras do Sigma Club, que orientam atividades em horários específicos e periódicos. Essa rotina forma a base para a autonomia futura. - Leitura
O integral, creio, não precisa se dedicar à revisão do que é visto em sala, mas sim ao aprofundamento de experiências leitoras. Sessões na biblioteca, leitura feita pelas monitoras e estímulo à representação cênica das histórias escolhidas fazem parte desse processo. O hábito da leitura deve fazer parte do dia a dia da criança integral. - Senso numérico
Ou seja, vivências cotidianas e significativas com o saber matemático. Mais do que revisar conteúdos da sala de aula, o integral deve explorar maneiras dinâmicas e naturais de falar sobre números, grandezas, proporções, frações e porcentagens — ampliando o repertório das crianças e tornando a matemática viva, interessante e livre de traumas. - Expressão artística
O integral precisa considerar a possibilidade de expressão das crianças por meio de pintura, desenho, escultura e outras formas de arte que, muitas vezes, não têm espaço no currículo regular. Isso não significa, necessariamente, a presença de especialistas. A atuação das monitoras, com estímulo à expressão gráfica e à vivência com cores e formas, já é uma rica forma de desenvolvimento. - Esporte e convivência
As crianças precisam gastar energia, suar, brincar. As quadras, a área verde, os brinquedões e os demais recursos do Sigma são essenciais nesse processo. Brincar é um direito da infância — e é também aprendizado.
Ao fim e ao cabo, o integral é mais do que uma ajuda para as famílias. Deve ser visto como uma ação intencional de complementaridade pedagógica, com seus próprios objetivos de aprendizagem e vivências independentes do que acontece no turno regular


